Foi na segunda surf trip que acabaram por fazer campismo selvagem pela primeira vez. Ela era contra. Sempre fora medricas, e o facto de estarem só os dois não ajudava nada. O Ricky afinal não se tinha despachado a tempo, e só chegaria amanhã de manhã. Entretanto o parque do Sitava estava cheio e tinham pensado ir para São Torpes, onde havia sempre menos gente. Vieram pelo caminho mais próximo do mar e o Pêpê obrigou-a a estacionar assim que viu umas ondas invulgarmente perfeitas um pouco antes do parque de campismo.
"Não dá, Cláudia, não há hipótese. Tenho que surfar aquelas."
"Não vamos apanhar o parque aberto, Pêpê. Depois onde dormes? Eu no carro não fico, dá-me cabo das costas."
"Não sei..." disse já de saída.
O surf é um vício equiparável à cocaína, como qualquer namorada de surfista pode confirmar. Qualquer uma é unânime em afirmar que entre uma prancha e outra mulher, têm mais receio da prancha.
O sol não tardaria a pôr-se, e com muito pouca vontade de dormir no carro, ela começou à procura de um sítio para montar a tenda. Os GNR's passavam por ali mas em regra era mais pela manhã, e aquele sítio não se via do estacionamento. O que tinha vantagens e desvantagens. Era só por aquela noite, e amanhã iam conseguir com certeza um lugar no Sitava.
Trouxe as coisas para baixo enquanto via dois ou três pontos minúsculos sentados na prancha á espera de um set. Um fez-lhe adeus. Ela retribuiu, esperando sinceramente que fosse o Pêpê. Nunca os conseguia distinguir dentro de água, e muitas vezes retribuía acenos que não lhe eram dirigidos.
"Diverte-te, amigo, enquanto a gaja monta a tenda e prepara o jantar..."
Depois da tenda montada meteu-se lá dentro para vestir o biquini. O sol estava mesmo quase a pôr-se, e mais do que a fome incomodava-a o pó que se lhe colara ás pernas no caminho entre o carro e a tenda. Ia tomar um banhinho antes de misturar os feijões frades com o atum, a refeição oficial do campismo.
Dirigiu-se para a água e constatou que só já havia dois surfistas sentados nas prachas. Normalmente quando ela estava a ver ele caía sempre, por isso não fazia grande questão de se pôr a vê-lo surfar. Garantia-lhe um melhor desempenho, e não corria o risco de o incentivar.
Entrou na água devagar. Era muito friorenta, mas áquela hora a diferença de temperatura entre a água e o ar é menor, por isso conseguia-se entrar com mais facilidade.
Não havia ninguém na praia. As luzes de Sines viam-se á distância, e também as de alguns carros que passavam na estrada a caminho da cidade. Estavam a ficar sozinhos, e arrepiou-se por um momento enquanto pensou nos perigos que o seu pai sempre apontara ao campismo selvagem. "Era só esta noite..." pensou, e tornou a arrepiar-se. O Pêpê finalmente tinha enchido a barriga de água e dirigia-se para a praia. Ela sorriu-lhe e acenou, ele deixou a prancha a salvo fora de água e veio ter com ela despindo a parte de cima do fato.
"Está boa, não está?"
"Menos má...não é o Algarve, claro."
"Viste aquele tubo que eu fiz?"
"Caíste?"
"Não."
"Então já sabes que não vi."
Ele riu-se e baixou-se para continuar a despir o fato.
A Lua aparecia muito redonda e amarela à sua esquerda. O sol já não se via, mas ainda havia uma luz alaranjada no sítio onde se tinha escondido. No ponto onde ela tinha escolhido tomar banho, as rochas de um lado e de outro protegiam das ondas e do vento, e formavam uma pequena enseada de água mais quente. De pé a água dar-lhe-ia pelo rabo, mas estava apoiada numa rocha e deitada de bruços, observando uns ouriços do mar que se viam numa concavidade cheia de água.
Sentiu-o desapertar-lhe aparte de baixo do biquini. Agarrou-lhe no peito e comentou:
"Isso é tudo frio ou estás satisfeita por me ver?"
"É frio, que o outro fulano ainda anda por ali. Onde deixaste o fato?"
"Naquela rocha. A maré está a descer."
"Não trazias nada debaixo?!" Exclamou ela quando o sentiu roçar-lhe na coxa.
"Não. Já viste, também estou com frio, mas estou contente por te ver."Disse-lhe enquanto a abraçava por detrás.
"Olha lá o outro..." E virou-se encaixando-se no seu colo, enquanto tentava perceber onde andava o surfista.
"Ele está na dele...já alguma vez experimentaste em água salgada?"
"Não..." mas estava com vontade de experimentar. Trazia um biquini em que a parte de baixo se atava com uma fitinha de cada lado, e ele já se debatia com os nós. Não tardou a desistir, largou-os e afastou a parte central das cuecas, enquanto brincava com os dedos.
Ela entretanto deliciava-se com o toque directo da água fria no peito nu, mas o outro rapaz não lhe saía da cabeça. "Estaria a vê-los? E se estivesse?", pensava em simultâneo. Às tantas gostava de ver e sempre eram três a divertir-se.
Para quem nunca experimentou, o sexo dentro de água torna-se mais difícil porque dilui a lubrificação natural, aumentando o atrito. Naquele caso, o efeito da água fria diminuía o tamanho do membro em causa, o que ajudava na coisa. Em menos de nada estavam os dois muito entretidos, e as estrelas que começavam a aparecer aumentavam a beleza do momento, que nenhum dos dois queria interromper.
Lentamente, iam-se dirigindo mais para a orla, até que ele conseguiu apoiar o rabo na areia e ela se sentou mais á vontade. Tinha havido uma altura em que ela só se conseguia vir em cima. Depois ele aprendeu a roçar-se nela de uma forma mais eficiente, e deixou de ser como a daquela música dos James, Laid. Mas naquele fim de tarde parecia-lhe que nem por cima ia ter muita sorte. O atrito era um bocado incomodativo, e começava-lhe a arder com o sal. Ele estava em delírio, claro. Surf e sexo num espaço de tempo tão curto eram tudo o que podia desejar.
Ela ia olhando em volta, e o outro fulano não se via em parte nenhuma. Começou a relaxar. Se calhar tem o carro do outro lado e já se foi embora sem eu ter dado conta.
"Olha, vamos trocar...isto hoje está difícil."
"Fixe, sempre dura mais tempo." Ele riu-se e ela retribuiu. Tinha um defeito muito pouco comum nas mulheres: vinha-se demasiado depressa, e depois perdia um bocado o entusiasmo. Mas mesmo por cima, não estavam a ter muita sorte. Ele percebeu e perguntou-lhe:
"Vê lá se queres que pare. Estou-te a magoar?"
"Não. Está a ser muito bom, com a águinha fresca e tudo. Só não consigo vir-me."
Ele agarrou-a e subiram mais um bocado. Já quase não estavam dentro de água. Tirou-lhe a parte de baixo do fato de banho e levantou-lhe um bocado as pernas, que apoiou nos ombros, enquanto lhe começava a mexer devagar. Ela apoiou-se nos cotovelos e deitou a cabeça para trás.
"Ah, sim, isso mesmo..." Uma sensação quente e docinha, um dedo mesmo no sítio, a palma da outra mão apoiada com força no osso púbico e veio-se com uma intensidade muito razoável.
"Para que é que precisas de pila, Pêpê, quando usas tão bem as mãos?"
"Há mulheres que não a dispensam..."
"Como é que sabes?" Perguntou, piscando-lhe o olho.
"Têm-me dito outros, que já sabes que eu"
"Sou só teu. Sim, sim..." terminou ela, enquanto ele entrava mais uma vez e se acomodava. Não tardou muito e estavam os dois deitados lado a lado na areia.
"Agora sabia bem um banhinho quente..." pensou ele alto.
"Pois...agora só amanhã." Respondeu-lhe ela enquanto se virava para apanhar o biquini pousado sobre a areia. Lá em cima acenderam-se uns faróis e um carro começou a fazer marcha-atrás.
"O filho da mãe esteve ali o tempo todo!" disse, enquanto o coração se lhe disparava no peito.
"O quê?" perguntou ele, enquanto se virava também.
"O outro surfista. Esteve ali em cima o tempo todo, dentro do carro. De certeza que nos viu, dali vê-se tudo. Eu não vi o carro porque era escuro."
"Deixa lá, tu não gostas de ver?"
"Sim, mas..."
"Não gostas de ser vista. Agora já não há nada a fazer. Olha, vai-me lá acima buscar uma toalhinha antes que fique com os tintins mirradinhos de todo."
Ela riu-se e foi buscar a toalha. No dia seguinte acordaram muito cedo, desmancharam a tenda e meteram tudo no carro. Quando iam a sair estava a entrar na estrada um carro escuro com duas pranchas em cima. Quando se cruzaram, ela estava capaz de jurar que o rapaz ao volante sorriu para ela, acabando por piscar o olho ao Pêpê.
marycarmen (23.03.2006 12:55)
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